O orçamento de uma obra de construção civil enfrenta um desafio invisível e implacável ao longo de todo o cronograma de execução, que é a oscilação constante e muitas vezes drástica no preço das principais commodities do setor. Materiais vitais para a fundação e estrutura, como o cimento, o aço e o concreto, parecem sofrer reajustes semanais nos balcões dos fornecedores. Essa variação imprevisível ocorre porque esses insumos básicos dependem de fatores macroeconômicos complexos, que incluem desde a variação do dólar no mercado internacional até o preço do óleo diesel que alimenta o frete logístico de distribuição de longa distância.
Quando o preço do cimento e do aço dispara no mercado no meio do andamento de um projeto, aquele orçamento inicial que foi meticulosamente aprovado com o cliente começa a sangrar, consumindo rapidamente a margem de lucro prevista pelo construtor. Para não ficar à mercê dessas flutuações e proteger a saúde financeira da empresa, o gestor precisa abandonar o modelo de compras fracionadas e adotar uma postura proativa baseada na Curva ABC de custos. Itens de alto impacto financeiro, que representam o topo das despesas da obra, nunca devem ser comprados de última hora no varejo de depósitos de bairro.
A melhor estratégia de defesa contra a inflação do setor envolve a celebração de contratos de fornecimento global diretamente com grandes distribuidores ou indústrias concreteiras, garantindo o travamento de preços e o agendamento de volumes específicos para todas as etapas da obra. No âmbito dos contratos firmados com os clientes finais, é indispensável a inclusão de cláusulas de reajuste periódico baseadas no Índice Nacional de Custo da Construção, o INCC, assegurando o reequilíbrio econômico do contrato caso o cenário inflacionário saia do controle. Alinhar a engenharia de custos com um controle contábil em tempo real é a especialidade com que a Construbilidade protege o seu fluxo de caixa.
