Para muitas construtoras, o crédito parece uma barreira difícil de transpor. A obra é boa, há contratos assinados, experiência comprovada e ainda assim, o banco diz não. Esse cenário é mais comum do que se imagina e, na maioria das vezes, o problema não está no projeto, mas na forma como a empresa é apresentada financeiramente.

Bancos não financiam obras. Financiam empresas capazes de honrar compromissos. E essa avaliação começa muito antes de qualquer conversa sobre valores, taxas ou prazos.

1. O primeiro ponto observado é a consistência dos números. Instituições financeiras analisam demonstrações contábeis para entender se a construtora gera resultados previsíveis. Não basta faturar alto em um período e baixo em outro sem explicação. Oscilações podem até ser comuns na construção civil, mas precisam estar justificadas e bem registradas. Quando os números parecem confusos ou incoerentes, o risco percebido aumenta.

2. Em seguida, entra a análise do regime tributário e da estrutura fiscal. Dependendo do regime, a empresa pode aparentar maior volatilidade ou menor previsibilidade de resultados. Além disso, inconsistências em tributos, retenções mal tratadas ou falta de clareza sobre obrigações fiscais acendem alertas imediatos. Para o banco, isso indica risco de passivos ocultos que podem comprometer o pagamento do crédito.

3. O terceiro fator decisivo é o fluxo de caixa. Bancos querem entender como o dinheiro entra e sai da empresa ao longo do tempo. Na construção civil, onde os recebimentos nem sempre acompanham o ritmo da execução, isso é ainda mais sensível. Uma construtora pode ser lucrativa no papel, mas se o caixa não sustenta os compromissos no curto prazo, o crédito se torna improvável. Não se trata apenas de saldo bancário, mas de controle e previsibilidade.

4. A organização por obra também pesa na análise. Empresas que conseguem demonstrar resultados por projeto, com custos e margens bem definidos, transmitem mais confiança. Quando tudo está misturado em um resultado geral, sem clareza de desempenho por obra, o banco tem dificuldade de avaliar onde o dinheiro é gerado e onde pode ser perdido.

5. Há ainda a avaliação da estrutura societária e da separação entre pessoa física e jurídica. Misturar contas, retiradas irregulares ou ausência de pró-labore claro fragilizam a imagem da empresa. Para o banco, isso indica falta de governança. E crédito, especialmente para construtoras, exige organização mínima e profissionalização.

6. Outro ponto menos óbvio, mas igualmente relevante, é o histórico de relacionamento financeiro. Atrasos recorrentes, renegociações frequentes ou dependência excessiva de capital de terceiros sinalizam fragilidade. Bancos observam não apenas a necessidade atual de crédito, mas o comportamento passado da empresa diante de compromissos financeiros.

O que muitos gestores não percebem é que a análise de crédito não acontece apenas no momento da solicitação. Ela é construída ao longo do tempo, a partir da forma como a empresa se organiza, registra informações e toma decisões. Quando o crédito é negado, o motivo raramente está em um único fator isolado, mas em um conjunto de sinais que indicam risco.

Nesse contexto, a contabilidade deixa de ser apenas um suporte operacional e passa a ter papel estratégico. Demonstrativos bem estruturados, leitura correta dos números, clareza fiscal e visão por obra ajudam a construir uma imagem financeira sólida. Não para “convencer” o banco, mas para ser, de fato, uma empresa financiável.

Antes de perguntar por que o banco negou o crédito, vale refletir: o que seus números estão dizendo sobre a sua construtora? Essa resposta costuma explicar muito mais do que qualquer negativa formal.

 

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